Big Data

Inteligência de dados: o que revela o setor de alimentação em Imbituba 

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Quando se fala em turismo, é comum que as atenções se voltem aos atrativos naturais, à rede hoteleira ou aos eventos culturais. No entanto, existe um componente essencial que qualifica toda a experiência do visitante e contribui diretamente para o desenvolvimento econômico local: o setor de alimentos e bebidas (A&B). Em destinos como Imbituba (SC), cuja identidade está fortemente ligada ao litoral, à gastronomia regional e às atividades ao ar livre, esse segmento tem papel central na consolidação da cidade como destino turístico completo. 

Neste artigo, vamos apresentar um panorama detalhado do setor de A&B em Imbituba, com base em dados da Receita Federal e do Cadastur, além de propor caminhos estratégicos para impulsionar o segmento. A análise foi conduzida pela Toordata, especializada em inteligência para o turismo, com foco em contribuir para a qualificação da oferta, o aumento da competitividade e o crescimento sustentável do município. 

Um retrato atual do setor gastronômico de Imbituba 

De acordo com os dados mais recentes da Receita Federal, Imbituba possui 882 estabelecimentos ativos no setor de alimentos e bebidas. A grande maioria dessas empresas (mais de 92%) são microempreendimentos — um dado que reforça o perfil empreendedor da cidade e evidencia a força da economia local baseada em negócios familiares, pequenos restaurantes e comércios de bairro. 

Essa característica, bastante comum em destinos turísticos de pequeno e médio porte, é ao mesmo tempo uma virtude e um desafio. De um lado, temos a autenticidade e o atendimento mais próximo, que agradam os visitantes e geram identificação com a cultura local. De outro, existe a necessidade de estruturar melhor esses negócios para que possam acompanhar as demandas do mercado turístico atual — mais exigente, digital e em busca de experiências diferenciadas. 

A representatividade de empresas de pequeno porte (5,33%) e outras categorias (1,7%) ainda é baixa, o que indica um ambiente de negócios dominado pela informalidade e pela atuação individualizada, sem necessariamente fazer parte de uma rede integrada de serviços turísticos. 

Evolução e maturação do mercado: o que os dados mostram? 

Entre 2019 e 2022, o setor de A&B em Imbituba apresentou um crescimento de aproximadamente 13%, alcançando seu maior número de registros nesse período. Esse movimento está em sintonia com a expansão do turismo na região e com o crescimento da demanda por serviços gastronômicos. Mas, a partir de 2023, esse avanço dá lugar a uma leve retração, com estabilização nos 2 anos seguintes. 

Essa mudança de comportamento pode sinalizar que o mercado está entrando em uma nova fase: a da consolidação. Em outras palavras, os empreendedores parecem estar ajustando sua atuação para equilibrar oferta e demanda, após um período de expansão talvez impulsionado por fatores como o aumento do turismo interno e mudanças nos hábitos de consumo provocadas pela pandemia. 

A estabilização do número de empresas não significa estagnação, mas sim maturidade. Pode ser o momento ideal para qualificar os negócios existentes, investir em inovação e buscar uma atuação mais estruturada, que permita ao setor crescer com mais consistência nos próximos anos. 

A baixa adesão ao Cadastur e seus reflexos 

Um dado que chama atenção na análise é o número de estabelecimentos cadastrados no Cadastur, sistema do Ministério do Turismo que reúne e certifica prestadores de serviços turísticos. Imbituba conta com apenas 13 empresas do setor de A&B registradas no sistema — o que representa apenas 1,47% do total de estabelecimentos. Desses, 8 são restaurantes e 5 são bares. 

Embora o registro no Cadastur não seja obrigatório para os estabelecimentos de alimentação, ele oferece uma série de vantagens estratégicas, como visibilidade institucional, acesso a programas de fomento, participação em eventos oficiais e inserção em roteiros e materiais de divulgação nacional e internacional. Mais do que um requisito legal para alguns segmentos, o Cadastur é uma porta de entrada para oportunidades que contribuem diretamente para a profissionalização e promoção do destino. 

Além disso, o cadastro também favorece a profissionalização dos negócios e pode ser um diferencial competitivo. Para o turista, saber que um restaurante está formalizado e alinhado às normas do Ministério do Turismo transmite segurança e confiança. 

Atendimento em idiomas: potencial ainda pouco explorado 

Entre os poucos estabelecimentos cadastrados no Cadastur, alguns oferecem atendimento em outros idiomas — 38,46% deles em inglês, 30,77% em espanhol e 7,69% em italiano. Embora esses números apontem para uma preocupação com o público internacional, ainda há muito espaço para crescimento. 

O domínio de línguas estrangeiras por parte dos profissionais do setor de A&B é um ponto cada vez mais importante para quem quer atrair visitantes de fora do país, especialmente em cidades litorâneas que têm perfil receptivo ao turismo internacional. Investir em qualificação nesse sentido pode abrir novas possibilidades e posicionar melhor o destino em mercados externos. 

A gastronomia como identidade e produto turístico 

Mais do que uma atividade econômica, a gastronomia é uma forma de expressão cultural. Os sabores locais carregam histórias, tradições e práticas que ajudam a contar quem somos e como vivemos. E é exatamente isso que os turistas estão buscando: vivências autênticas e inesquecíveis. 

Imbituba tem um enorme potencial gastronômico a ser explorado. A riqueza de frutos do mar, os resquícios da cultura açoriana e as tradições locais ligadas à pesca artesanal formam uma base sólida para a construção de um produto turístico com identidade própria. A questão é: como transformar essa potencialidade em uma marca gastronômica consolidada? 

Como avançar? Recomendações práticas para o fortalecimento do setor 

Para fortalecer o setor de alimentos e bebidas em Imbituba, é essencial ampliar o número de empresas registradas no Cadastur, promovendo campanhas de sensibilização, apoio técnico e desburocratização do processo de formalização. Paralelamente, investir na capacitação contínua dos profissionais — especialmente em idiomas, hospitalidade e boas práticas — contribui diretamente para elevar o padrão de atendimento e a competitividade dos negócios locais, tornando a experiência turística mais qualificada. 

Além disso, valorizar a gastronomia regional por meio de eventos, festivais e circuitos é uma forma eficaz de consolidar a identidade culinária do destino. Iniciativas voltadas à inovação e sustentabilidade também são fundamentais, assim como o monitoramento contínuo do setor por meio de dados atualizados. Com esse conjunto de ações estratégicas, Imbituba pode transformar seu potencial gastronômico em um diferencial turístico reconhecido em escala regional e nacional. 

Considerações finais 

Imbituba tem todos os elementos necessários para se tornar uma referência em turismo gastronômico: natureza exuberante, uma base sólida de empreendedores locais e uma identidade cultural rica e autêntica. No entanto, para transformar esse potencial em resultados concretos, é preciso investir em planejamento, qualificação e formalização. 

O setor de alimentos e bebidas é, sem dúvida, um dos pilares do turismo. Ao valorizar e apoiar esse segmento, o município promove o desenvolvimento econômico local, gera empregos, fortalece a cultura e entrega ao visitante uma experiência mais completa. 

A Toordata segue à disposição para apoiar destinos turísticos como Imbituba com dados, diagnósticos e soluções personalizadas que ajudam a construir um turismo mais inteligente, inclusivo e sustentável. 

Este texto foi elaborado com base em dados e análises fornecidos pela Toordata, um dos negócios da Girus Soluções em Turismo.