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Bombinhas: um retrato do mercado de hospedagem no paraíso catarinense 

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Turismo forte, setor hoteleiro em expansão 

Bombinhas já é sinônimo de mar cristalino, natureza preservada e boas experiências. E com essa fama consolidada no turismo catarinense, o município tem se estruturado para acolher cada vez melhor seus visitantes. Os meios de hospedagem, como se espera, são parte fundamental dessa engrenagem. São eles que sustentam a permanência dos turistas e movimentam boa parte da economia local. A análise realizada pela Toordata mostra que, mesmo com avanços importantes nos últimos anos, o setor ainda enfrenta desafios e tem muito espaço para crescer com inteligência e sustentabilidade. 

Um mercado que cresce, mas precisa se qualificar 

Entre 2019 e 2025, o número de meios de hospedagem em Bombinhas cresceu aproximadamente 30,6%. Um dado expressivo, principalmente se considerarmos que a categoria que mais se destacou foi a de pousadas (109 estabelecimentos registrados no CADASTUR em 2025), altamente representativa no perfil do município. Ainda assim, o crescimento foi desigual, com leve retração em 2023 e retomada mais forte em 2025. Esse movimento mostra que o setor é sensível às mudanças econômicas e às políticas públicas — e que precisa estar atento à qualificação constante. 

Outro destaque é o avanço na formalização. Em 2025, o número de empreendimentos registrados no Cadastur saltou de 93 para 187 (incluindo empreendimentos com registro expirado), um crescimento de mais de 100%. Isso representa 59,2% do total de empresas do setor — o maior percentual já registrado em Bombinhas. Ainda assim, é possível (e necessário) avançar mais, especialmente considerando que o Cadastur é a principal ferramenta de regulamentação e acesso a políticas públicas do turismo nacional. 

Capacidade instalada e estimativas de mercado 

Atualmente, os meios de hospedagem cadastrados oficialmente no município oferecem 3.638 unidades habitacionais e 11.100 leitos. No entanto, ao considerar os estabelecimentos ainda não registrados no Cadastur, a capacidade real estimada varia de 4.015 a 5.397 UHs, o que pode representar até 16.451 leitos disponíveis. A acessibilidade, porém, ainda é limitada, mas atende o que prevê a lei federal: cerca de 11% das unidades habitacionais e 10% dos leitos são adaptados, percentual com potencial de ser ampliado diante da crescente demanda por turismo inclusivo e acessível. 

Sazonalidade e projeções de receita 

Assim como outros destinos litorâneos brasileiros, Bombinhas enfrenta o desafio da sazonalidade. Durante a alta temporada, a taxa de ocupação média pode atingir 85%, mas cai para 40% na média temporada e chega a apenas 20% nos meses de baixa procura. Isso exige criatividade por parte dos empreendimentos para manter a ocupação e o faturamento ao longo do ano. 

Mesmo com essa oscilação, o cenário financeiro é promissor. A diária média adotada para as projeções foi de R$300, o que, considerando os níveis estimados de ocupação, resultaria em uma receita anual entre R$202 milhões e R$272 milhões para o setor hoteleiro local. Números que mostram o potencial do destino — e o impacto direto da boa gestão turística na economia municipal. 

Como a Toordata transforma dados em estratégia 

A inteligência por trás dessa análise é da Toordata, plataforma que transforma dados em decisões mais precisas para o turismo. Ao integrar informações da Receita Federal, Cadastur, projeções de mercado e indicadores de acessibilidade e ocupação, a Toordata oferece um retrato fiel da realidade turística dos municípios — com foco em ação. 

Mais do que analisar, a plataforma orienta gestores públicos e empresários sobre onde estão os gargalos, quais investimentos valem mais a pena, onde há excesso ou escassez de oferta e como melhorar a experiência dos visitantes. Em Bombinhas, por exemplo, os dados apontaram a necessidade de ampliar a formalização, tornar os empreendimentos mais acessíveis e diversificar a oferta para enfrentar a sazonalidade. Essas são informações que ajudam a definir políticas públicas, apoiar o trade local e fortalecer o turismo de forma sustentável e estruturada. 

Oportunidades para fortalecer o setor 

O cenário de Bombinhas é, ao mesmo tempo, promissor e desafiador. A cidade já possui uma estrutura robusta, mas que precisa ser continuamente qualificada. O incentivo à regularização é uma das chaves para isso. Campanhas informativas e benefícios para quem se formaliza podem aumentar ainda mais os números do Cadastur. Capacitações voltadas à gestão, atendimento, marketing digital e acessibilidade também são estratégias urgentes e eficazes. 

Outro ponto importante é a diversificação da oferta. Bombinhas tem vocação não só para o sol e praia, mas também para o turismo de experiência, ecológico e gastronômico. Criar produtos que atraiam turistas na baixa temporada é essencial para manter o setor ativo o ano todo. 

Por fim, é necessário monitorar o mercado constantemente. A implementação de sistemas que acompanhem a ocupação, a receita e a evolução do setor pode garantir mais assertividade nas ações públicas e privadas. 

Planejar com inteligência é o caminho 

A análise realizada pela Toordata reforça que Bombinhas está no caminho certo, mas ainda tem muito a avançar para tornar seu turismo mais competitivo, inclusivo e resiliente. Com dados claros, gestão qualificada e cooperação entre poder público e iniciativa privada, o município pode seguir como referência no turismo brasileiro — agora com mais estratégia e menos improviso.